Você que nem se importa comigo, carta pra você que nunca ligou pra mim. Que simplesmente me deixou chorando, abandonada em um lugar frio. Dizendo, nunca vou ter orgulho de você, não cite meu nome, engula seu amor e fique ai. Você precisa disso. Você merece isso. Não tenha medo, ele não existe, não sinta frio, nem fome, fique ai!
Só tem espaço no mundo para os corajosos, não sonhe, guarde tudo.
Você precisa seguir, mas você está sozinha não esqueça. Não adianta chorar, lágrimas não serão suficiente. Se o chão está frio, levante-se dele. Não mandei você se jogar. O mundo é cruel e ele que vai cuidar de você, que vai te ensinar a amar, a ser um humano.
Ninguém gosta de você, você está sozinha, engula isso, amor não alimenta. Não acredite em sonhos, não acredite no rosa, nem nos unicórnios. Tudo é ilusório. Não há céu ou inferno. Não fale comigo, não tenho tempo pra você, não atrapalhe meu mundo. Não me trate como amor, nunca terei orgulho de você, não importa quem você seja.
Não importa, nunca terei orgulho de você, não importa. Engula o choro, o mundo é cruel e ele engole gente fraca e você é uma.
Não olhe pra mim, não converse comigo, não insista eu não estou aqui. Não estou pra você. Você está sozinha.
Vá e procure um ser que te suporte, minha casa, minhas regras, aqui você não manda, aqui você não vive, apenas sobrevive. O Deus maior é o Dinheiro e o Segundo Deus é o Tempo. Então se não puder pagar pelo meu tempo, saia do meu caminho.
Ninguém suporta crianças mimadas, cheia de amor, pra que amor? Se o Dinheiro é o melhor. Ouça isso com atenção:
Você nunca será nada, nada, ouviu?!
Você vai viver mendigando amores vazios, mendigando, vagando com almas vazias. Nunca vai encontrar nada que possa preencher isso. Você está sozinha, você pode se matar se quiser, a arma está apontada para sua cabeça, não grite, o medo não existe. Você está sozinha, Deus não existe, tudo é Tempo e Dinheiro. Não importa se você é uma criança, não importa se você não tem culpa de nada, vou te deixar ai, não chore, não se corte, não sofra. Eu não tenho tempo pra você. Ande sozinha, fale errado, mas fale sozinha. Coma sozinha, vista-se sozinha. Ninguém vai te amar! O mundo não vai te amar, ninguém, Entenda o amor, não existe!
Mas ... eu fui sua escolha, não pedi isso. Me escute, olhe estou aqui por mais que queira negar, faço parte de você e da sua história, não me deixe mãe, não me abandone. Sou sozinha sem você. Eu já entendi e aprendi tudo, agora me der colo, pois ate para a morte eu sou uma covarde. Não importa a mudança que eu faça, continuo sendo aquela criança abandonada, jogada no chão, olhando você partir, ignorando meu choro e dizendo: isso é para o nosso próprio bem. Enquanto num momento de desespero, pego a tesoura e faço o sangue jorrar, melando o chão, sujando a parede. Pra que mãe? A empregada limpa, faça um curativo e a devolve para a escola, ela precisa de mais educação. Feliz Dia das Mães, cadê minha mãe? Meu aniversário, cadê minha mãe? Natal, cadê minha mãe? Quando você crescer, saia de casa e vá caçar seu mundo. Aqui não é seu lugar, quando eu me aposentar, vou embora e nunca mais você terá notícias minhas. Entenda você é sozinha, não importa seu choro, sua dor, sua angustia. Não estou aqui nem tenho tempo pra isso. Mas...mãe, eu preciso de você, sempre precisei e não adianta, sou parte da sua história. E em meio as lágrimas, eu ainda consigo escrever pra você. Sei que nunca vou te dar orgulho, não me formei em Medicina, não sou a Advogada que a vó tanto sonhou e idealizou, não sou casada, nem tenho minha família, nem meus filhos. Não sou nada, não me tornei nada, nem viajei para o Canadá como a senhora queria. Tive tudo o que o dinheiro podia comprar. Estudei piano clássico, fiz teatro, dança, pintei, estudei inglês, espanhol, fiz enfermagem, administração de empresa. Estudei nas melhores escolas, ate a minha rebeldia. Não falo palavrões, nem sou viciada em drogas, tampouco corto meus pulsos. A única dor que sinto, são minhas tatuagem, não sou nada, apesar de ser tudo isso, sou vazia. Não confio em ninguém, não sei o que é o amor e quando penso que tenho, sou levemente traída, abandonada, humilhada e mesmo assim com a arma apontada, continuo pela vida. Não sei mais que vida, mas continuo, mesmo machucada, mesmo sozinha, sem nada nem ninguém, eu continuo. Ainda existe um mundo bonito, do qual o dinheiro não pode comprar, ainda podemos ser pessoas do bem, sem ter diplomas. O dinheiro infelizmente não compra a imortalidade. Eu sei disso, sei também que um dia vou encontrar meu lugar, longe onde tudo isso. Que tudo o que passei, será apenas palavras em algum canto. Não sei escrever bonito e piorou quando eu choro, mas isso chegou ao limite. Você me afastou do meu pai e quando o tive, fiquei pouco tempo, ele não foi bom, por ter concordado com você, mas ele era um ser que completava minha história. E hoje, quando vejo minha história, vejo que meu pai é falecido, que tenho um meio irmão, que nada serve, nada acrescenta, que ao contrário, só foi machista e cruel. Vejo que preciso urgentemente de uma nova história, quando deixo meu cabelo crescer, sinto que volto a ser aquela criança frágil, insegura, que ficava chorando no chão. Eu preciso curar minha alma, antes de qualquer coisa, antes de qualquer recomeço, antes de deixar ate você, mãe pra trás. Eu preciso superar cada lágrima. E hoje... quando novamente me sentir uma criança abandonada, decidir escrever. Você não é a mãe que se mostra pra sociedade, abraço e carinho somente em público. Orgulho de mim, só da boca pra fora. Dinheiro compra presentes, mas não respeito, não carinho, nem admiração. Se sou sozinha e isso não vai mudar
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Carta para você
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Unknown
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01:40
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